Está muito barulho na rua. O movimento faz barulho. As pessoas riem-se, falam alto, bebem, trocam presentes, estão no presente. Já eu, silenciosa e séria, passo despercebida com os 11 mil passos que já dei na tua direção desde que cheguei, mesmo sabendo que não virás mais ao meu encontro. Não é por acaso que o GPS me diz estar a 500m de ti. Se fechasse os olhos e caminhasse, o coração encarregar-se-ia de me guiar e de me fazer errar novamente. Porque tu roubaste os restaurante, os artistas, os lugares escondidos, as ruas, as canções, até o céu conseguiste roubar, não fosse o teu corpo um mapa infinito de bonitas constelações. Procuro-te em todos os lugares desta cidade na esperança de um olhar que me dê algo mais do que vazio. E questiono se tudo aquilo que és não é apenas problema dos meus olhos. Vêem-te único, belo, misterioso, triste, profundo, livre. Tão como eu que fodeu. Mas se eu pudesse, fodia. Porque o futuro faz-se no presente e tu és quem continua a ocupar a minha mente.