Salas de espera
As salas de espera são, para mim, espaços de mistério. Não me refiro às dos hospitais, onde através da tosse, do gesso ou dos gemidos sabemos se é constipação, fratura ou dor nos rins. Dizem que as crises renais não se desejam ao pior inimigo. Pois eu cá nunca tive nenhuma. Por outro lado, caio com facilidade nas armadilhas da minha mente traiçoeira e é precisamente essa matreirice que é misteriosa e que se encontra entre todos os que, com mais ou menos toques e mexericos na cadeira, aguardam pela chamada da psicóloga no consultório. Tenho-me cruzado com salas cada vez mais cheias. Quando comecei a fazer terapia, há quase 1 ano, esperei sempre sozinha. Sei de cor os azulejos do chão da sala e encontro-lhes um padrão que se repete. Os cadeirões são azuis, há uma lareira inutilizada e escondida por plantas e alguns quadros na parede. A madeira é daquelas que faz barulho, sendo impossível não dar pela chegada de alguém. Por isso, o som do chão a ranger antecipava sempre a vinda da minha p...