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A mostrar mensagens de abril, 2020

Afinal, onde é que se posiciona a felicidade?

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A sexta-feira que passou foi um dia importante para mim, porque celebrei em família as trinta primaveras da minha irmã. Sou pessoa que adora surpresas, quantas mais e mais inesperadas, melhor. Como tal, retiro um enorme prazer em surpreender também os outros e cada ideia maluca que me vem à cabeça é alimentada pela próxima, e pela próxima e por aí em diante. Quando planeio uma surpresa, não me fico só por uma, tamanha é a minha excitação pelo que a pessoa vai sentir, e isto apenas se deve ao facto de eu calçar sempre os sapatos dos outros e de prever, assim, a forma como tudo vai correr. O que me esqueço, muitas vezes, é que nem toda a gente calça o mesmo que eu nem gosta dos mesmos sapatos que eu gosto. Então, a possibilidade dos acontecimentos não baterem tal qual como eu os vejo é grande, gigante e, neste caso, o prazer que supostamente ia obter no futuro, acaba por se transformar em dor. Talvez se não forçasse ninguém a calçar os meus sapatos, esta dor não fosse tão aguda. Mas tal...

As laranjas do Tua

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Sou de um sítio bonito. Torga chamou-lhe o Reino Maravilhoso e aqueles que já cá vieram, entendem na perfeição de onde vem este ideal. Os que nunca se ousaram a visitá-lo, apenas gozam de um imaginário fictício de vazio e abandono que é o interior-norte de Portugal. Destes últimos, tenho pena. Por isso, falo tanto deste meu cantinho e dos benefícios que ele me traz. Mudei-me para a cidade há 8 anos, e adoro-a! O corridinho, o barulho, o movimento, a multi tudo e mais alguma coisa, o rigor, a vida. Mas, sempre que regresso às origens, reencontro-me com a minha artéria aorta, que por vezes se entope de coisas que não sou, mas que rapidamente se liberta quando identifica o oxigénio transmontano. Ontem, desafiada pela minha irmã, pela minha mãe e pelo M., calcei as sapatilhas e as meias brancas pé de gesso e fiz uma caminhada de 7km pelas encostas do Rio Tua. O deslumbre foi inevitável: a paisagem, a primavera, as borboletas (tantas!), as lagartixas, as cores e, como era de esperar, as ...

Cliché

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Da mesma forma que não há mal em ter dias maus, também não há mal em levar com uma chapada de realidade, para ver se acordamos para a vida. Na manhã seguinte a ter assumido aqui que me tinha ido abaixo, sem saber muito bem porquê, acordei com um vídeo da Renascença, onde a Catarina Furtado falava da situação dos refugiados na Grécia. Que o vírus já lá tinha chegado. Que estava o caos instalado. Que a vida daquelas pessoas estava deixada ao acaso. Pessoas normais, famílias como as nossas, fogem das suas cidades no momento em que estas são bombardeadas de ódio, obtusidade e corrupção, na esperança de encontrar a terra justa e humana da Europa. No entanto, ao contrário das suas expectativas, são recebidos com campos cheios de ratazanas, com casas de banho que servem 90 pessoas e com a ironia colada nas paredes, que se enchem de medidas preventivas contra o Covid-19, mas que não são coerentes com a inexistência de água nas torneiras.  Aquelas pessoas vão morrer ali, disse a Catari...

Não há mal em ter dias maus

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Ontem fui-me abaixo. Ao dia 13 de abril e dia 30 de isolamento, tive um dia pesado. Não sei se foi do tempo incerto lá fora, da falta de uma Páscoa normal e todos os lamentos à volta disso ou da quarentena já ser rotina. A causa do problema não sei bem qual foi, mas que um mau estar físico me bateu ontem à porta a fazer pendant com a pseudo insanidade mental com que acordei, lá isso é verdade. Estou a dizer isto, com todas as letras, vírgulas e pontos finais, porque tenho tentado ser honesta comigo. Entendi que a falta de honestidade própria traz dor. Que pode matar, mas que, primeiro e durante muito tempo, mói, porque não somos feitos de pregos e parafusos. É normal ter dias menos bons e não há mal nenhum nisso. O que é mau é entrar em negação e lutar com espadas e escudos contra a verdade. Tentei escapar à frustração ao escrever no meu diário as coisas boas que preciso de inspirar e as coisas menos boas que tenho de expirar. Depois, meditei e esforcei-me por aplicar na prática ...

Palmeira à beira caos plantada

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Da janela da sala, perto do meio dia, com a luz a bater na cara, acordou. Água com limão, gengibre e curcuma, uma laranja e um café. Está outra vez sol! De fundo, vozes. Em primeiro plano, o livro. Fala do poder do agora desde o início e repete-o em todas as páginas. Tem feito questão de respeitar os princípios de tal obra e, por isso, enche-se de coragem. Almoça, veste-se, desabafa, boné na cabeça e sai. Segue os pássaros, o vento e o barulho da água a cair no chão. Senta-se e liga. Desliga e respira. E deixa que o passado apareça, exatamente no momento seguinte. Quão traiçoeiras são as doenças do ego! Volta a respirar, bem fundo, três vezes muitas vezes. E a paz do agora regressa. Que alívio! Está feito. E bem feito. Volta para casa e aprende um pouco mais sobre ser mais ela. Que inspiração és, girl on fire! Nisto, celebra-se hoje o dia mundial da consciencialização do autismo, que não é uma deficiência, não é uma doença, não é uma incapacidade, mas apenas uma forma diferente de ver...