Afinal, onde é que se posiciona a felicidade?
A sexta-feira que passou foi um dia importante para mim, porque celebrei em família as trinta primaveras da minha irmã. Sou pessoa que adora surpresas, quantas mais e mais inesperadas, melhor. Como tal, retiro um enorme prazer em surpreender também os outros e cada ideia maluca que me vem à cabeça é alimentada pela próxima, e pela próxima e por aí em diante. Quando planeio uma surpresa, não me fico só por uma, tamanha é a minha excitação pelo que a pessoa vai sentir, e isto apenas se deve ao facto de eu calçar sempre os sapatos dos outros e de prever, assim, a forma como tudo vai correr. O que me esqueço, muitas vezes, é que nem toda a gente calça o mesmo que eu nem gosta dos mesmos sapatos que eu gosto. Então, a possibilidade dos acontecimentos não baterem tal qual como eu os vejo é grande, gigante e, neste caso, o prazer que supostamente ia obter no futuro, acaba por se transformar em dor. Talvez se não forçasse ninguém a calçar os meus sapatos, esta dor não fosse tão aguda. Mas tal...