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A mostrar mensagens de agosto, 2015

Afogada em ócio

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Há dias escrevi sobre o querido mês de agosto como sendo o mês mais aguardado do ano, já que traz com ele calor, festa, amigos e família. Isto até certo ponto. Admito que já estou mais acostumada ao ritmo da vida na cidade do que no campo. Por isso, era de prever que a minha longa estadia na querida terrinha ia levar-me a chegar a este ponto de  ócio e tédio profundos . Os dias têm mais que vinte e quatro horas, mesmo sendo as manhãs passadas na frescura e leveza dos lençóis. A vontade de sair de casa é gigante e a vontade de voltar a casa quando se sai idem. Programar um dia no rio dá trabalho e a preguicite aguda acaba sempre por nos condenar à mesma rotina de há semanas atrás. As noites já não são as mesmas e sair para tomar um café já não compensa o trabalho de despir o pijama que cheira a casa, sono e moleza. As costas ganham a forma do colchão e doem cada vez que vamos dormir. E encontrar a posição certa para tal custa, pois todas as possíveis já foram usadas nas horas a...

Não há terra como esta

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Agosto. Mais propriamente meio de agosto. Já se nota movimento, principalmente à noite. Os cafés já estão cheios e o parque, no jardim, já está lotado de criançada. As matrículas amarelas e estranhas enchem todos os estacionamentos. Andam rua acima, rua abaixo, lentamente, quais turistas. Arcos! Já puseram os arcos e, este ano, há guarda-chuvas pendurados no céu. Deve ser para afastar este mau tempo que teima sempre em aparecer nesta altura, ou então, para proteger dele mesmo, não fosse essa a sua função. Respira-se frescura, música popular e novidade. Os marroquinos já montaram as barracas, a Sagres já se encarregou de estacionar o atrelado mágico e as farturas Nunes já ocuparam o lugar cativo.  Começa hoje e às oito e pouco vou buscá-lo. Antes, por volta das seis, vou buscar a mãe que está na padaria a fazer as deliciosas bolas de carne. Ah!, bolas de carne, a escorrer azeite, acabadinhas de sair do forno. O pai, já tratou do tintol. Tudo a postos para logo à noite e par...

ADN: Ansiando Desesperadamente a Normalidade

Hoje escrevia-te uma carta. Sempre é mais fácil comunicar contigo assim. Não uma carta de amor, jamais uma carta de ódio. Talvez uma carta de piedade, não no sentido de pena e misericórdia, mas num de compaixão. Compaixão pelo que sentes e não queres sentir, pelo que transmites e não consegues transmitir, pelo que queres ser e não és. Ambicionas, planeias, delineias, mas nada cumpres. Não te julgo. Em simultâneo, não te compreendo. Talvez por não ser como tu. Nem nunca ter sido ou irei ser. Acredito fielmente nisto, como acredito que um dia podes vir a ser alguém melhor. Não, não me interpretes mal, por favor. Não digo que és uma pessoa miseravelmente má, cruel, não... apenas vejo grande potencial de evolução em ti. Se assim o quiseres. O descontentamento, a lamentação e a inconformação a nada te vão levar. Lembra-te: ninguém vai mudar a tua vida por ti. Nem ninguém, nem nada. Nada, nem ninguém. Encontra o teu caminho, define a tua viagem, prioriza os ex-libris e esfola-te para...