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Um ano de terapia

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O dia 3 de maio é para mim, há 10 anos, o dia de aniversário da minha amiga Marina. Mas desde o ano passado que esta data se tornou ainda mais especial. Hoje faz 1 ano que comecei a fazer terapia. Às vezes dou por mim a criticar-me por expor o meu processo terapêutico, principalmente no meu podcast, onde falo sobre a minha vida e onde tenho vários momentos de catarse pela entrega que dou ao vaguear do meu pensamento. É provavelmente o único espaço no qual falo antes de pensar, pelo que é o que está a borbulhar na minha cabeça que comanda o raciocínio, e não a racionalidade em si. Mas depois lembro-me que não sei estar na vida sem a analisar, apreciar e partilhar. Esta forma de estar resulta comigo, porque me liberta e me dá prazer. Registar a vida através das palavras comove-me, renova-me e enraiza-me. Sinto-o desde 2019, quando encontrei na escrita o meu lugar preferido para estar. Senti-o em 2021, quando escrevi o meu livro e nele eternizei pedaços inteiros e nus de mim. E embora a e...

Salas de espera

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As salas de espera são, para mim, espaços de mistério. Não me refiro às dos hospitais, onde através da tosse, do gesso ou dos gemidos sabemos se é constipação, fratura ou dor nos rins. Dizem que as crises renais não se desejam ao pior inimigo. Pois eu cá nunca tive nenhuma. Por outro lado, caio com facilidade nas armadilhas da minha mente traiçoeira e é precisamente essa matreirice que é misteriosa e que se encontra entre todos os que, com mais ou menos toques e mexericos na cadeira, aguardam pela chamada da psicóloga no consultório. Tenho-me cruzado com salas cada vez mais cheias. Quando comecei a fazer terapia, há quase 1 ano, esperei sempre sozinha. Sei de cor os azulejos do chão da sala e encontro-lhes um padrão que se repete. Os cadeirões são azuis, há uma lareira inutilizada e escondida por plantas e alguns quadros na parede. A madeira é daquelas que faz barulho, sendo impossível não dar pela chegada de alguém. Por isso, o som do chão a ranger antecipava sempre a vinda da minha p...

O dia em que fiz 30 anos

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Li algures esta semana que aos 28 somos mais velhos do que somos aos 30. Dizem que é por volta desta idade que começa a crise. Olhamos para os 30 como a idade limite para muita coisa - o carro, a casa, o casamento, os filhos, e tantos outros objetivos. E, por isso, com o aproximar deste número começamos inconscientemente a exercer uma pressão em nós para tudo o que deveríamos ter conquistado, mas ainda não conseguimos (lol). Isto envelhece. E depois chegam os 30. Deixamos de reutilizar o número 2 das velas ano após ano, passamos a ter um título - agora sou trintona - e, de forma inacreditável, sentimo-nos mais livres. Eu sinto-me mais livre! E mais jovem, e mais leve do que me sentia aos 29, aos 28, aos 27, aos 26, aos 25… e ficamos por aqui. Antes disso sabia nada desta vida (e hoje só sei mais um bocadinho). Acredito que este sentimento de liberdade se relacione com um deixar cair de planos e ambições (que na verdade nunca nos serviram) e com um consolidar bonito do carácter e da per...

Antes das flores secarem

Não deve ser fácil seres tu. E mesmo que tenhas desaparecido antes das flores secarem Eu consigo perdoar-te. Porque sei que foi de verdade E que não fugiste de mim, Mas da tua incapacidade. Não de amar, Não de aproveitar, Não de celebrar, Não de te entregares, Mas de resolveres uma cabeça que conhece os problemas Só que foge das soluções E se perde em dilemas E arrebate corações. Não deve ser fácil seres tu, Mas mesmo assim eu gostava que o fosses comigo.

Intimidade

Dar-te intimidade não é só entregar-te a minha pele, É dar-te acesso a tudo o que está, e é tanto, por baixo do que se vê. Porque se um dia te fores, eu serei capaz de recuperar todos os pedaços consentidos de roupa E de beijos e de corpo que trocámos, Mas nunca serei capaz de te apagar os meus segredos,  Que levas contigo quando te perco para os teus medos. Intimidade é tudo isto E ainda achar que vale a pena.

Onze mil passos

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Está muito barulho na rua. O movimento faz barulho. As pessoas riem-se, falam alto, bebem, trocam presentes, estão no presente. Já eu, silenciosa e séria, passo despercebida com os 11 mil passos que já dei na tua direção desde que cheguei, mesmo sabendo que não virás mais ao meu encontro. Não é por acaso que o GPS me diz estar a 500m de ti. Se fechasse os olhos e caminhasse, o coração encarregar-se-ia de me guiar e de me fazer errar novamente. Porque tu roubaste os restaurante, os artistas, os lugares escondidos, as ruas, as canções, até o céu conseguiste roubar, não fosse o teu corpo um mapa infinito de bonitas constelações. Procuro-te em todos os lugares desta cidade na esperança de um olhar que me dê algo mais do que vazio. E questiono se tudo aquilo que és não é apenas problema dos meus olhos. Vêem-te único, belo, misterioso, triste, profundo, livre. Tão como eu que fodeu. Mas se eu pudesse, fodia. Porque o futuro faz-se no presente e tu és quem continua a ocupar a minha mente.

Está a ser bom crescer

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Anteontem foi Halloween. Lembro-me que há 2 anos fiz uma pausa enquanto estava a escrever o meu livro e vim ao Porto festejar este dia. Não tanto pela temática, mas por ser a primeira oportunidade para sair à noite após muitos meses de pandemia, confinamento e restrições.  Diverti-me muito. Estava a pesar imenso a liberdade. Não sabia quando seria a próxima vez em que nos iam recambiar para casa e, apesar das músicas serem as mesmas, do ambiente ser sufocante e de ter demorado uma hora e meia para sair da discoteca no final da festa, o balanço foi absolutamente positivo. Acabamos os quatro, eu e os meus três amigos que me acompanharam, a tomar o pequeno almoço na Confeitaria do Bolhão. Nunca um croissant com queijo prensado nos soube tão bem. Nunca uma coca-cola às sete e meia da manhã fez tanto sentido. Recordo aqui este dia, porque este ano o meu Halloween foi diferente. Após ter passado o final de tarde a tratar coisas que só os adultos têm de tratar, como resolver problemas no ...

Dois pesos, duas medidas

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É na cama, no conforto da minha casa, com a barriga cheia e a roupa lavada, que escrevo este texto. Sei bem onde me vão levar estas palavras: a lado nenhum. Mas se para umas coisas afirmamos veemente que vale sempre a pena falar, então não é coerente ficar em silêncio perante o que está a acontecer. Não vou armar-me em pessoa super entendida no assunto e dar todo um enquadramento histórico. Para isso existem os livros, todos os que ainda não li. Mas acredito que a história serve para nos ensinar. E se ela não está a ser contada corretamente, então perde a credibilidade. É que nenhum contexto valida o terrorismo e o genocídio, muito embora seja isso que esteja a acontecer: o terrorismo “que não vem do vácuo” a cumprir a sua missão de assustar e distrair os peões, enquanto a rainha aproveita o circo e faz xeque-mate - e entendam rainha da forma que quiserem, ainda que não seja muito difícil de lá chegar. É impressionante a forma como se politiza tudo, como se transforma tudo num Porto-Be...

Estava sem sono e decidi escrever

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Estava a ver O Fabuloso Destino de Amèlie pela primeira vez e adormeci ao fim de 26 minutos. Não porque não estava a gostar do filme, mas porque ando com os sonos trocados desde que me trocaste as voltas. Ou melhor. Tu não. A vida. A vida tem um tempo perfeito, muitas vezes mais lento que o nosso próprio tempo. Mas é perfeito. E, a seu tempo, ela prova-nos que acerta milimetricamente em tudo. Os sonos trocados devem-se a um coração inquieto e a um agosto atípico em sol e banhos no mar, mas típico em ócio. Talvez seja o último agosto da minha vida assim: molengo, quente, indisciplinado e em casa. Tudo está prestes a mudar. Está quase a fazer 1 ano que fui sozinha para a Indonésia; e este ano, estou a 1 semana de regressar ao Porto, cidade do meu coração. A Capicua, a artista portuguesa mais underrated da minha geração, tem uma canção que se chama Circunvalação. No refrão ela diz que o coração dela está entre o Douro e a Circunvalação, os limites marítimos e terrestres dentro dos quais ...

You silly, silly man

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O teu jeito misterioso, excêntrico, aventureiro e aberto conquistou-me, mas foram os pequenos detalhes, a poesia, as constelações do teu corpo e a certeza de um bom coração que me fizeram querer ficar. Guiaste-me, guiaste-nos. Foste dando as ordens e as direções, e eu deixei-me levar, apenas. Incapaz de dar mais, ou de dar mais de mim, fui dando à medida que ias dando também. Agora que me distancio consigo ver-me assustada e em negação de um sentimento que há muito procurava, mas que achava bom demais para ser verdade. Não me culpo só a mim nisto. Foi difícil decifrar o teu silêncio e quem éramos à distância. Por não saber o que esperar de ti decidi muitas vezes não esperar nada. Se não fosse tão bom o tempo passado a cantar no trânsito e a ver concertos históricos no youtube no teu t1, diria que esta relação era unilateral, de mim para ti, sem de ti para mim. Talvez por isso tivesse havido vezes em que quis jogar jogos para os quais nunca treinei. E, por isso, perdi todos. As fotograf...

Quase

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Era inverno E eu estava insegura e fria, Com filtros e camadas. Até que chegaste tu para me aquecer. Mas eu só soube adicionar mais filtros e camadas,  Na tentativa falhada de me esconder, E de corresponder A um quase que acabei por viver.

Maturidade

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Há 5 anos, quando passava por uma das fases mais desafiantes dos meus 20’s e voltei a escrever com alguma consistência no meu blog, estava com 25 anos e disse que tinha cimentado a minha identidade através de uma hierarquia de valores. Hoje, a 6 meses dos 30, sinto que a maturidade chegou. Tenho sentido isto já há alguns meses. Partilhei este sentimento em terapia, o medo que o sentir-me mais madura trouxe. Arrisquei muito na última década. Fui intensa, irresponsável, instável, livre. E tudo isto levou-me a tomar decisões impulsivas – foram tudo ou nada. Até então só tinha sido capaz de ver o lado bom disso: vivi muito. Mas a maturidade tem-me vindo a mostrar que, numa altura em que já pouca paciência tenho para experiências temporárias e desequilíbrios emocionais, qualquer decisão que venha a tomar parece mais pesada e mais difícil. Isto porque fez-me abandonar o tudo ou nada e ensinou-me a olhar para as coisas como uma média saudável entre estes dois extremos. Talvez por isso seja ...

Crise de fé

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Costumo dizer muitas vezes que, apesar de não saber o que fazer no presente, confio na Inês do futuro para arranjar uma solução. Habituei-me a acreditar nisto e tenho levado os meus dias com base neste pensamento. Acho-lhe até alguma graça. Tanta graça que o partilhei com a minha terapeuta. O que não estava à espera era da resposta dela. Tu não tens de confiar na Inês do futuro, tens de confiar na vida. Paralisei. O que queria ela dizer com aquilo? Ela está mesmo a dizer-me para não confiar em mim? Entendi que sim, que estava, mas não de uma forma literal. Confiar numa versão futura minha para arranjar uma solução para tudo é perpetuar um pensamento de invencibilidade e independência que me acompanha desde que sou criança.  Habituei-me a ser a melhor em várias coisas sem pedir autorização; a fazer as coisas pela minha cabeça sem avaliar seriamente os riscos; a viver no limbo e a adorar esta relação tóxica entre mim e a minha adrenalina. Mas nunca pensei que os anos de glória tivess...

Uma questão de vida e de morte

Li há uns tempos que os únicos dois dias da nossa vida que não têm 24h são os dias do nosso nascimento e da nossa morte. Não sei porquê, mas tenho um fascínio por coisas triviais a que nunca dei atenção. Talvez por isso mesmo, por serem coisas que estão na frente dos meus olhos e que mesmo assim não as consegui ver. Esta frase fez-me fechar o livro durante uns instantes para pensar. Também tenho um fascínio pela reflexão. Quando estudava Educação Física, havia 3 fases de aprendizagem obrigatórias na pedagogia: a ação, a reflexão na ação e a reflexão sobre a reflexão na ação. É, a mim também me parecia muito confuso. Tão confuso que não me apetece explicar agora o que é refletir sobre a reflexão. Mas se a pedagogia surtiu efeito em mim foi neste vício de retirar uma aprendizagem de tudo. Para mim é impensável consumir palavras e imagens e não tirar uma lição. Engraçado como o verbo que associamos às drogas é o mesmo que hoje em dia associamos àquilo que fazemos. “Consumir conteúdo”,...

Porque choramos quando morre uma árvore

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Com a chegada da primavera não só as flores nem as andorinhas ganham protagonismo. Aliás, arrisco-me a dizer que as maiores protagonistas deste tempo são as árvores, as únicas que não fogem ao frio e que não murcham quando há falta de sol. Admiro muito as árvores pela sua capacidade de serem raiz. Literalmente e metaforicamente também. Há um ano foi-me perguntado: “Se fosses parte de uma árvore, qual serias?”. E a minha resposta foi que seria as folhas. Ainda que tenha pensado na raiz, porque é a ligação à terra, à minha terra, que não me faz esquecer de onde vim, selei a minha resposta final nas folhas. Sou demasiado do mundo para assumir o compromisso de ficar eternamente presa a um único lugar. Gosto da sensação de saber onde cair sem saber para onde ir. E talvez por isso eu seja intensa, tal como as viagens que uma folha faz a partir do momento em que se desvincula do seu leito. Mas agora que penso, tudo depende do contexto em seu redor. Se uma folha pertencer a uma árvore que ...

Comer lá fora

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A pergunta que se levanta sempre é: vale a pena levar isto tudo lá para cima? Mas é retórica. Toda a gente sabe cá em casa que sim, que vale a pena. E assim pomos a mesa no terraço e almoçamos na companhia das nuvens que parecem marcas de pneu na estrada e linha do horizonte que nos abraça em 360 graus. O primeiro almoço do ano no terraço foi no domingo passado, o segundo do mês de março. Estávamos só os três. Eles a comer carne de porco à alentejana e a variar entre o saborear da gordura e o sorver das amêijoas; eu a comer um salteado de seitan e cogumelos acompanhado de espinafres e arroz branco. Não como carne há mais de 3 anos e os meus pais nunca foram de se meter nesta minha escolha. Cada um come o que quer, sem julgamentos ou imposição. Nem mesmo quando derrapo nos meus ideais e cedo por vontade própria à pressão de comer carne, porque alguém faz anos e vamos jantar a um restaurante de francesinhas cujas vegetarianas levam pão, tomate e alface. Jamais vou entender o que passa ...

turning 29

a quantidade de tentativas de escrever este texto responde à pergunta que mais me foi feita nos últimos dois dias: qual é a sensação de fazer 29 anos? o número não me assusta. a idade foi apenas uma métrica que alguém sem noção inventou para tentar controlar a passagem do tempo. era mais fácil se vivêssemos num mundo onde não se contam os anos, porque deixávamos de lado as caixinhas sociais onde, por imposição e conforto, nos encaixamos. conseguem imaginar não ter noção da esperança média de vida? não saber do quão longe ou próximos supostamente estamos da m0rte? quantas vezes ouvimos alguém dizer que agora já não tem idade para? ou quantas vezes sofremos e vemos sofrer alguém porque já passou os 30 ou os 40 e ainda não tem, nem sabe como há-de ter, os itens limitadores e culturais que definem o sucesso? era mesmo fixe que não houvesse esta coisa da idade. acho que nos retirava alguma pressão. mas respondendo à pergunta de como me sinto com 29: sinto-me determinada e frustrada. um comb...

esqueci-me

esqueci-me. não sei quando nem como, mas esqueci-me. fui-me esquecendo. os dias são longos, mas os anos são curtos. há muitas 24h difíceis de passar, mas, em comparação, 2020 já foi há 3 anos. o tempo não está a ser amigo para quem tem pressa. talvez porque também o tempo é apressado e isso faz-nos ganhar consciência de que a batalha de ultrapassarmos a velocidade do tempo é impossível de ganhar. ou nos rendemos a isto ou vamos acabar por nos esgotar. e mais tarde acomodar a um estado melancólico e triste da visão da passagem do tempo. eu esqueci-me. fui-me esquecendo. já não vejo a lua há muito tempo, e mesmo que a veja, esqueço-me de a olhar. já não distingo o som dos passarinhos do som mundano, e mesmo que o distinga, deixei de me deslumbrar. já não me cuido e amo como antes, e mesmo que o faça… esqueçam, não faço. esqueci-me. fui-me esquecendo. também de escrever. a escrita foi refúgio, solução e resposta. escrever salva. escrever salvou-me. e apesar de sentir que já não sei escrev...

a notícia da morte na indonésia

chegou-me a notícia de que partiram mais dois colegas de faculdade. digo “mais dois”, porque desde 2012, o meu ano de caloira, que já partiram mais pessoas da fcdef do que os dedos que tenho nas mãos. fico sempre chocada com estas notícias. não só porque há um luto constante na minha faculdade, como também porque são demasiadas caras conhecidas e jovens a ir. são pessoas como eu, como nós, que veem o ciclo da vida ser interrompido demasiado cedo. fecho-me no meu casulo e ponho tudo em perspetiva. repito para mim mesma que a vida é muito boa, mas também é muito curta, abanando-me para aquilo que todos nós sabemos, mas que insistimos em não aplicar: dizer e fazer tudo aquilo que sentimos, porque o amanhã não existe. dei por mim aqui, na indonésia, a pensar no conceito de carreira e apercebi-me que não sou motivada por ser muito boa numa só coisa para o resto da vida. pela construção sublime de um cargo ou profissão. entendi que gosto de muitas coisas e que posso ser apenas boa em várias ...

Assustada, desassossegada, mas nunca resignada

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Hoje acordei com vontade de escrever. Na verdade, ontem já me deitei desta forma quando comecei a ouvir os meus pensamentos e me apercebi que já há algum tempo não lhes prestava atenção. Esta distração é boa, porque me permitiu viver com intensidade os primeiros quinze dias de julho, nos quais passei grande parte do meu tempo sozinha. No entanto, com o aproximar do fim destes dias de viagem, festa e momento presente, comecei a recear a inevitável fase mais depressiva do pós pico de felicidade que, no meu caso, se relaciona diretamente com os meus pensamentos a fugir para o futuro. Há uns anos era incapaz de passar tempo de qualidade sozinha. Estava tão dependente da aprovação e da companhia dos outros que, quando regressava a casa só ansiava pela chegada do dia seguinte, onde ia estar novamente rodeada de pessoas. Preocupava-me com apenas isto mesmo, com a roda de gente, independentemente da nossa conexão e da conexão comigo mesma. Também nesta altura os meus pensamentos ao futuro pe...