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A mostrar mensagens de março, 2020

Yin yang

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Fez ontem uma semana que estou de quarentena e, tal como o Newton teve uma epifania quando levou com a maçã na cabeça, também eu ontem, durante um banho refrescante e terapêutico, após um treino caseiro tendência março/abril 2020, tive um momento de luz. Não sei se foi do vapor de água do banho misturado com o cheiro do meu champô ou se foi da falta de oxigénio no cérebro graças à coça que este corpito levou, mas dei por mim a questionar e a refletir sobre várias coisas. Ainda não há muito tempo, ouvi falar num  podcast  sobre a luta interna pela qual muitos de nós passa. De um lado, temos o processo e o esforço de nos tornarmos melhores a cada dia que passa. Do outro, temos a capacidade de nos aceitarmos no presente e de o aproveitarmos com plenitude, não questionando o passado ou o futuro. Seguindo esta linha de pensamento, dei por mim a levantar duas questões essenciais: primeiro, como têm sidos os meus dias durante este tempo?; e segundo, o que é que tem sido bom e mau na...

Solitude

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Por não saberes o que ele é, desvalorizas. Por começares a ouvir falar dele, questionas. Por o reconheceres à distância, ambicionas. Por não saberes como lá chegar, comparas-te. E inferiorizas-te. E culpabilizas-te. E vitimizas-te. E quando percebes que é em ti que está o oxigénio da reação, A mente, que é o comburente, sofre até à exaustão, Por se ver constantemente diante uma traiçoeira e constante bifurcação. À direita, estagnar. À esquerda, continuar. E é quando segues o lado do coração E quando calas os palpites da multidão Que a solitude se torna prioridade E ocupa sem dó nem piedade O altar da castradora solidão. Por descobrires quem ele é, encontras-te. Por decifrares o que ele diz, acordas-te. Por perceberes a sua importância, vicias-te. E envolves-te. E lutas. E cresces. Não é egoísmo, é necessidade, A de converter um amor próprio impróprio para consumo Num conclave de perdão e tolerância, Onde apenas os teus valores e sub...

Só os loucos sabem - a minha viagem aos Estados Unidos

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Vamos viajar? Hoje levo-vos até aos Estados Unidos. Está quase a fazer um ano que eu mais seis amigos entramos num avião a uma segunda de madrugada, rumo a Los Angeles. À partida, seria apenas uma estadia durante uma semana na cidade dos anjos. Contudo, e graças a um sonho antigo, no meu dia de aniversário, pus em cima da mesa aquela que iria ser umas das maiores aventuras das nossas vidas. "Malta, tive uma ideia. E que tal irmos, não só a Los Angeles, mas também a Las Vegas e ao Grand Canyon? Eu sei que parece impossível, mas eu já tracei a rota e já decidi que vou, mesmo sozinha. E vocês, juntam-se a mim?". Assim lancei a ideia para o ar, com 99% de certezas que ninguém iria alinhar nesta loucura. Mas sabem que mais? Se querem fazer uma loucura, certifiquem-se que estão rodeados de amigos tão ou mais loucos que vocês. E foi, desta forma, que começou a ser efetivamente desenhado o plano de ação. Quando demos por nós, já era abril e, das notas no telemóvel e dos esquemas...

O meu pai

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O meu pai é o melhor do mundo. Sendo o único homem numa casa de três mulheres, o meu pai é protetor por natureza. Foi ele que me ensinou a andar de bicicleta e a mergulhar no momento certo nas ondas do mar de Vila do Conde, pois, no caso de algo dar errado, ele estaria lá por perto para funcionar como escudo humano. O meu pai é o melhor do mundo. Gosta de história e geografia como eu. Ou melhor, hoje eu gosto de saber mais sobre o passado, de saber onde fica cada país, de saber as cores das suas bandeiras e as suas capitais, porque o meu pai sempre me ganhou quando jogávamos a este jogo. Lembro-me de ver com ele o Quem Quer Ser Milionário, na altura do Jorge Gabriel, e do meu pai saber quase sempre a resposta certa. Isto aqui para nós, que ninguém nos ouve, cheguei a fazer batota e ir ver ao Google a resposta certa quando ele não sabia, só para ter um gostinho de lhe ganhar. Ainda assim, era uma sensação errada de satisfação, porque o que eu gostava mesmo era de perceber orgul...

Pandemia

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Paro para pensar e apercebo-me que a grandeza ou pequenez das coisas depende sempre do ponto de vista que queremos defender. Para nós, portugueses, e imaginando uma escala do tamanho de uma régua de 50 centímetros, no extremo oposto ao ponto zero, está a China, fazendo deste local o mais longínquo possível de nós. Ainda assim, esta distância megalómana não foi suficiente para impedir que o Covid-19 nos batesse à porta, encurtando ao milímetro o tamanho deste imensurável mundo. O Coronavírus chegou e veio para ficar. Se foi obra da Natureza, da política ou do acaso, isso não sei nem é esse debate que quero pôr em cima desta mesa. O que interessa aqui realçar é que, após 48 horas de quarentena e uma ida repentina à rua, já deu para perceber que este sacana apareceu com o nobre propósito de desnudar a nossa vulnerabilidade enquanto seres humanos e que está, sem dúvida, a dar-nos quinz'a zero. Vivo no Porto há 8 anos e se há característica que me apaixona todos os dias nesta cidad...

Maria José

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Ontem trouxe-vos o Artur, pessoa alegre, bem resolvida, realizada, inspiradora. Hoje, tal como prometido, trago-vos a Maria José. Para ser fácil a sua apresentação, imaginem o branco e o preto; o quente e o frio; o doce e o amargo; o Artur e a Maria José. Sim, isso, são opostos. São duas retas paralelas que percorram o espaço que percorrerem, jamais se vão encontrar. Não coincidem em nada, sendo a única coisa em comum entre os dois é terem-se cruzado comigo. Um, a uma segunda-feira. Outro, a uma terça-feira. Um, capaz de colorir o meu dia. Outro, capaz de o escurecer. Um, inspirou-me a ser real. Outro, evidenciou aquilo que eu não quero ser. Ambos capazes de me ensinar alguma coisa e é sobre isto que vou falar hoje. Todos vós, pelo menos uma vez na vida, já teve de levar com uma Maria José. No meu caso, levei com ela no meu local de trabalho, no qual existe uma proximidade colossal com o cliente e, como tal, os níveis de respeito e cortesia têm de ser mútuos para a coisa correr bem...

Artur

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Ao décimo sexto dia do mês de março, urge em mim uma necessidade grotesca de vos escrever. Hoje trago-vos três personagens: um Artur, uma Maria José e um Covid-19. Estes, foram os protagonistas desta semana atípica que passou e que dificilmente irei esquecer. Começo, então, pelo Artur. O Artur é um jovem portuense, engenheiro de formação e genuíno por defeito. Conheci-o já há algum tempo num âmbito profissional e rapidamente fui seduzida pela forma inata e encantadora que o Artur tem de conquistar o seu público. É descontraído, cómico, espontâneo e despreocupado. É-no tanto que o nosso lado mais discriminatório e acéfalo, claro está, leva-nos, automaticamente, a fazer juízos de valor sobre o que ele é enquanto pessoa. Mesmo assim, aquele primeiro encanto não se desfaz, o que te leva a pensar: porra, mas afinal o que é que este gajo tem assim tão de especial? Demorei cerca de um ano a descobrir resposta para isto, e após ter nutrido esta mistura de admiração e, admito, preconceito r...