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A mostrar mensagens de março, 2023

Uma questão de vida e de morte

Li há uns tempos que os únicos dois dias da nossa vida que não têm 24h são os dias do nosso nascimento e da nossa morte. Não sei porquê, mas tenho um fascínio por coisas triviais a que nunca dei atenção. Talvez por isso mesmo, por serem coisas que estão na frente dos meus olhos e que mesmo assim não as consegui ver. Esta frase fez-me fechar o livro durante uns instantes para pensar. Também tenho um fascínio pela reflexão. Quando estudava Educação Física, havia 3 fases de aprendizagem obrigatórias na pedagogia: a ação, a reflexão na ação e a reflexão sobre a reflexão na ação. É, a mim também me parecia muito confuso. Tão confuso que não me apetece explicar agora o que é refletir sobre a reflexão. Mas se a pedagogia surtiu efeito em mim foi neste vício de retirar uma aprendizagem de tudo. Para mim é impensável consumir palavras e imagens e não tirar uma lição. Engraçado como o verbo que associamos às drogas é o mesmo que hoje em dia associamos àquilo que fazemos. “Consumir conteúdo”,...

Porque choramos quando morre uma árvore

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Com a chegada da primavera não só as flores nem as andorinhas ganham protagonismo. Aliás, arrisco-me a dizer que as maiores protagonistas deste tempo são as árvores, as únicas que não fogem ao frio e que não murcham quando há falta de sol. Admiro muito as árvores pela sua capacidade de serem raiz. Literalmente e metaforicamente também. Há um ano foi-me perguntado: “Se fosses parte de uma árvore, qual serias?”. E a minha resposta foi que seria as folhas. Ainda que tenha pensado na raiz, porque é a ligação à terra, à minha terra, que não me faz esquecer de onde vim, selei a minha resposta final nas folhas. Sou demasiado do mundo para assumir o compromisso de ficar eternamente presa a um único lugar. Gosto da sensação de saber onde cair sem saber para onde ir. E talvez por isso eu seja intensa, tal como as viagens que uma folha faz a partir do momento em que se desvincula do seu leito. Mas agora que penso, tudo depende do contexto em seu redor. Se uma folha pertencer a uma árvore que ...

Comer lá fora

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A pergunta que se levanta sempre é: vale a pena levar isto tudo lá para cima? Mas é retórica. Toda a gente sabe cá em casa que sim, que vale a pena. E assim pomos a mesa no terraço e almoçamos na companhia das nuvens que parecem marcas de pneu na estrada e linha do horizonte que nos abraça em 360 graus. O primeiro almoço do ano no terraço foi no domingo passado, o segundo do mês de março. Estávamos só os três. Eles a comer carne de porco à alentejana e a variar entre o saborear da gordura e o sorver das amêijoas; eu a comer um salteado de seitan e cogumelos acompanhado de espinafres e arroz branco. Não como carne há mais de 3 anos e os meus pais nunca foram de se meter nesta minha escolha. Cada um come o que quer, sem julgamentos ou imposição. Nem mesmo quando derrapo nos meus ideais e cedo por vontade própria à pressão de comer carne, porque alguém faz anos e vamos jantar a um restaurante de francesinhas cujas vegetarianas levam pão, tomate e alface. Jamais vou entender o que passa ...