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A mostrar mensagens de junho, 2015

Mãe

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A minha mãe é a melhor do mundo. Trata de mim tão bem que me faz amá-la mais e mais a cada dia que passa. Dá tanto e tudo por mim que às vezes chateio-me com ela. Mas não adianta... Ela também me ama cada vez mais todos os dias. A minha mãe é uma lutadora. Os dias são cada vez mais difíceis e há dias em que ela não consegue aguentar alguns sufocos que lhe preenchem o coração e liberta-os honestamente da boca para fora. Magoam-me tanto! Fazem-me questionar como é que ela consegue, mesmo com as curvas e contracurvas desta vida, dar-me tudo aquilo que preciso. Penso, penso e penso mais. E fico, sempre, sem entender.  A minha mãe é a melhor cozinheira que alguma cozinha deste planeta já viu. O cheiro da comida dela é inigualável e o sabor, esse, faz as maravilhas de todos os meus sentidos. Pergunta-me muitas vezes, a minha mãe, o que quero para jantar. Nunca sei o que responder, porque tudo é bom e qualquer coisa vai servir para saciar a minha fome de comida boa. Mas seja ...

Verão

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Lembro-me dos verões quentes, escaldantes. O pai dormia na varanda e eu, como corajosa e fiel seguidora dos seus passos, dormia também. A certa altura, a brisa agradável era demasiado fria para a minha pele morena e desidratada de criança. Envolvia-me, então, nos lençóis frescos de verão que me aqueciam o corpo e aconchegavam até à hora do almoço. Assim que deglutia a última garfada de arroz, a contagem do tempo era minuciosa. Mais minuto, menos minuto, faria toda a diferença nas horas de digestão. Isto porque aguardava-se, toda a tarde até cair o pôr do sol dourado por trás dos montes e montanhas, uma bela tarde de piscina.  "Mãe, já são 4?", perguntava a cada trinta segundos. E quando a hora finalmente chegava, o salto para dentro de água era tão chafurdante quanto a minha alegria. Entrava e saía, vezes sem conta. Entre piruetas, cambalhotas e concursos do melhor salto para a água, assim se passavam as horas e as mãos, essas, pareciam de um velhote, de tão enrugada...

Sobre o estágio infinito e enevoado

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Acabou. Assim como as minhas aulas de natação, também o estágio, maldito diga-se, acabou. E por incrível que pareça, não deixa nem deixará saudades. O nível de afinidade é tão grande que na última vez que lá fui, a despedida não passou de os dois beijinhos multiplicados por vinte nadadores habituais. Do banho da praxe não me livrei, mas não foi, com certeza, para marcar aquele último dia. Apenas é fixe atirar à água alguém que te chateou a cabeça durante nove meses, ainda para mais de calções e t-shirt . Contudo, verdades sejam ditas: em nove meses, aprendi. Muito. E as minhas últimas palavras nisto se basearam. "Que tenham aprendido comigo tanto como eu aprendi convosco. Obrigada". Sentimento de alívio que me preencheu o corpo, leveza de alma pura. A despedida deixou de ser até amanhã para um até à próxima um tanto hipócrita, já que a minha vontade de lá voltar é pouco mais que zero. "Dizem eles até à próxima, mal sabendo do que aqui sofreste.", diz-me...

Ser professora de natação

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Corria janeiro. Mais um dia de esforço e sacrifício no estágio. Entretanto, o António propôs-me um trabalho: "Queres substituir-me nas minhas aulas de terças e quintas-feiras até abril? Três turmas, miúdos dos 4 aos 12 anos". Não hesitei. Ensino sempre me fascinou e vi ali com vinte anos a minha oportunidade para começar a poder ser professora de natação. "Sim, quero muito.", respondi. Muitas aulas planeadas, outras tantas dadas. Situações constrangedoras e problemáticas que tive que aprender a resolver no momento. Alunos vinham, alunos iam. Outros foram e nunca mais voltaram. Engraçado... Os que nunca mais voltaram foram precisamente os que me deram mais problemas, não eles, mas os pais deles. Sem dúvida que os miúdos são o reflexo do que têm e casa e claro que se vêem a mãe a falar com a professora deles de dedo indicador impune que vão ser muito mal educados.  O tempo passou. Mais tempo do que o proposto. As aulas tornaram-se minhas até junho, porque...