Sobre o estágio infinito e enevoado
Acabou. Assim como as minhas aulas de natação, também o estágio, maldito diga-se, acabou.
E por incrível que pareça, não deixa nem deixará saudades. O nível de afinidade é tão grande que na última vez que lá fui, a despedida não passou de os dois beijinhos multiplicados por vinte nadadores habituais. Do banho da praxe não me livrei, mas não foi, com certeza, para marcar aquele último dia. Apenas é fixe atirar à água alguém que te chateou a cabeça durante nove meses, ainda para mais de calções e t-shirt.
Contudo, verdades sejam ditas: em nove meses, aprendi. Muito. E as minhas últimas palavras nisto se basearam. "Que tenham aprendido comigo tanto como eu aprendi convosco. Obrigada".
Sentimento de alívio que me preencheu o corpo, leveza de alma pura. A despedida deixou de ser até amanhã para um até à próxima um tanto hipócrita, já que a minha vontade de lá voltar é pouco mais que zero. "Dizem eles até à próxima, mal sabendo do que aqui sofreste.", diz-me um amigo. Sofrimento é uma palavra que pesa nos ouvidos de um ser humano. No entanto, aplica-se neste caso. Um sofrimento físico e psicológico que me consumiu e massou por uns largos meses. Teria valido a pena se hoje já sentisse falta da rotina pré e pós treino, o que compreensivelmente não se verifica.
Que seja recordado por mais um momento penoso na minha ainda curta vida. E o meu amigo João, esse nunca irei esquecer.
