Prisão do passado, utopia do futuro

Todo um passado esforçado, esfolado e oxigenado pelos constantes suspiros e apneias a resultar na prisão sombria e fria atual.

A ânsia de ir em combate diário com a âncora que aqui me prende à deriva. Acompanhadamente só, cada vez mais os meus dias se tornam árduos. Difíceis de suportar, de enfrentar, de viver e sobreviver.

Sobrevivência. É do que se tratam os meus dias e do que se irá tratar o meu inexistente e abstrato futuro. De onde venho? Onde estou? Para onde vou? Questões que me martelam o cérebro a todo o sagrado milissegundo das vinte e quatro horas do meu dia. 

Ahhhh, fuck Bolonha! Fuck ilusão e inocência do primeiro ano. Tão lindo, tão cor-de-rosa, tão perfeito e cheio de pessoas boas. Fuck. Culpo-vos pelo estado embriagado dos meus pensamentos de hoje que me desassossegam a alma e as decisões, qual sentença de morte.

O tempo urge e a escolha certa é uma utopia. Resta-me respirar fundo, buscar o oxigénio que gastei em vão no passado e encontrar o pôr-do-sol que me transmita paz, mesmo que visto aos quadradinhos.

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