Afogada em ócio
Há dias escrevi sobre o querido mês de agosto como sendo o mês mais aguardado do ano, já que traz com ele calor, festa, amigos e família. Isto até certo ponto. Admito que já estou mais acostumada ao ritmo da vida na cidade do que no campo. Por isso, era de prever que a minha longa estadia na querida terrinha ia levar-me a chegar a este ponto de ócio e tédio profundos.
Os dias têm mais que vinte e quatro horas, mesmo sendo as manhãs passadas na frescura e leveza dos lençóis. A vontade de sair de casa é gigante e a vontade de voltar a casa quando se sai idem. Programar um dia no rio dá trabalho e a preguicite aguda acaba sempre por nos condenar à mesma rotina de há semanas atrás. As noites já não são as mesmas e sair para tomar um café já não compensa o trabalho de despir o pijama que cheira a casa, sono e moleza. As costas ganham a forma do colchão e doem cada vez que vamos dormir. E encontrar a posição certa para tal custa, pois todas as possíveis já foram usadas nas horas anteriores enquanto me afundava em séries e filmes.
Aguardo ansiosamente a chegada de setembro para voltar à rotina frenética do Porto, mesmo sabendo que passadas duas semanas de lá estar o que eu mais quero é voltar ao ócio e tédios profundos, mas em simultâneo, ao quentinho e conforto de casa maravilhosos que só a minha terra me dá.
