ADN: Ansiando Desesperadamente a Normalidade
Hoje escrevia-te uma carta. Sempre é mais fácil comunicar contigo assim. Não uma carta de amor, jamais uma carta de ódio. Talvez uma carta de piedade, não no sentido de pena e misericórdia, mas num de compaixão.
Compaixão pelo que sentes e não queres sentir, pelo que transmites e não consegues transmitir, pelo que queres ser e não és. Ambicionas, planeias, delineias, mas nada cumpres. Não te julgo. Em simultâneo, não te compreendo. Talvez por não ser como tu. Nem nunca ter sido ou irei ser. Acredito fielmente nisto, como acredito que um dia podes vir a ser alguém melhor. Não, não me interpretes mal, por favor. Não digo que és uma pessoa miseravelmente má, cruel, não... apenas vejo grande potencial de evolução em ti. Se assim o quiseres.
O descontentamento, a lamentação e a inconformação a nada te vão levar. Lembra-te: ninguém vai mudar a tua vida por ti. Nem ninguém, nem nada. Nada, nem ninguém. Encontra o teu caminho, define a tua viagem, prioriza os ex-libris e esfola-te para cortares a meta. Sempre ouvi dizer que os joelhos esfolados são sinal de saúde. De mental, também. Oh!, lá estás tu... não, não te estou a chamar anormal, mesmo que às vezes sinta vontade de o fazer.
Já tentei de tudo. Já fiz trinta por uma linha. Já subi os Himalaias cem vezes à procura da resposta no ponto mais alto, que não passou de uma miragem. Submeti-me a uma quantidade de adrenalina absolutamente louca e estonteante, sem saber como. Sabendo perfeitamente porquê. Correram-me no sangue gotas de mágoa, agonia, aperto e frustração. Vejo-me num beco sem saída, cuja solução é continuar virada para a parede infinita, qual muro de Berlim, à espera que ela se derrube e te mostre o quão bom existe para lá deste betão envolvido em arame farpado.
Ai!, quando esse dia chegar. Irá chegar ele? Que chegue rápido! Para finalmente poder retomar a minha paz de espírito e ser capaz de te enfrentar como pessoas biologicamente adultas que és. E somos. Este é o meu desejo. E espero que neste momento, algures na imensidão do universo, esteja a cruzar-se diante de mim uma estrela cadente, capaz de mo realizar. Oh!, uma estrela cadente... Pfff... que infantil, que absurda. Mas estupidamente feliz.