Acreditar. Tudo se resume em acreditar.

Há quem acredite em Deus. Há quem acredite em magia. Há quem acredite em muitas coisas. Todos nós temos uma crença. A minha crença sou eu. Aquilo que eu consigo fazer se acreditar nisso, desde a coisa mais simples, à decisão mais difícil.

Os últimos tempos têm-me obrigado a acreditar muito. A acreditar num projeto, a acreditar numa amizade, a acreditar num futuro. Incerto, é certo, mas recheado de presentes cujo embrulho rasgamos com unhas e dentes mal o vislumbramos, tal é a curiosidade de descobrir o seu interior.

Para que todas estas minhas crenças fizessem sentido, houve antes e sempre uma decisão. Decidir entre o fazer ou o esperar que façam, entre o agora ou nunca, entre o ir ou ficar. Após a sentença final, pouco ou nada há a fazer. A única coisa que nos resto é simplesmente lutar. De alma e coração impune, havemos de conquistar e reconquistar, tempos desconhecidos ou perdidos, consoante a circunstância. Comparo o momento da decisão a um carro em pleno ponto de embraiagem, no qual o mínimo erro pode culminar na morte do artista. Mas mal o carro arranque, não há como pará-lo, a não ser, claro, que surjam obstáculos pela frente. E este arranque trata-se nada mais do que a minha crença nas coisas e nas pessoas. Com subidas e descidas, semáforos e sinais proibidos, assim é e sempre será o meu dia-a-dia. E quando as forcinhas me faltarem, ao invés de acender uma velinha ao Santo António irei, sempre, voltar ao momento inicial e agarrar-me àquilo que me fez dizer sim ao desafio que é uma vida.


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