Porto, 20 de outubro de 2015

Queridos coleguitas de mestrado,

Escrevo-vos este texto em jeito de desabafo, pelo sentimento de revolta e incredulidade que tenho sentido desde o início do ano e que, por razões de sono, se acentuou hoje. Passo a justificar, porque quero, estes meus sentimentos.

Em primeiro lugar, sinto-me mesmo envergonhada por partilhar um ciclo de ensino de tamanha importância e seriedade com indivíduos tão ocos e pobres de espírito. De espírito e de educação. Não sei se vos ensinaram isto em casa. Certamente não. Mas o respeito, o respeito apenas, tem de estar intrínseco na personalidade de cada um de nós. Que muitos não o têm, por simplesmente terem batido com a cabeça à nascença, não é novidade nenhuma para ninguém. Agora, o respeito ou, neste caso, a falta dele, por alguém mais velho, relaciona-se pura e simplesmente com a ignorância, estupidez, infantilidade e idiotice que vos correm nesse sangue enferrujado pelos demónios axiológicos desta vida. 

O pôr-se no lugar do outro é algo que valorizo muito. Muito mesmo. E colocar-me no lugar de um professor, valorizo ainda mais. Porquê? Porque se calhar, tal como todos vocês, daqui a um ano, vou ser eu professora. Vou estar eu em frente de uma turma de miúdos. Vou ser eu quem vai correr o risco de ser humilhada e desrespeitada, caso tenha o azar de ter alunos como vocês. Porque eu até posso ser uma profissional recheada de coisas interessantes para transmitir aos meus alunos, mas se eventualmente lhes interessar mais rir e falar paralelamente de coisas que não interessam ao menino Jesus, é isso que vai acontecer. Isto, em modo de analogia... Perceberam-na? Pois... 

É triste. Profundamente triste vivenciar aulas, semana após semana, como a que vinvenciei hoje. A sério! Se vocês não querem estar, porque é que estão?! Porquê? Porque é que insistem em perturbar quem quer estar, como eu? Porque é que continuam a fazer os vossos pais gastarem dinheiro convosco? Porque é que teimam em infernizar a vida a um professor? PORQUÊ!?!? ...

Se ainda restar consciência nessa vossa massa acinzentada que vos preenche o cérebro aquilo que faz as pessoas pensar, reflitam sobre a figura que andam por aqui a fazer. Sobre a atitude medíocre que têm mantido até então. Sobre o facto de serem tão fracos, tão pequenos, tão covardes, tão miseráveis. 

E desculpem qualquer exigência demasiado complicada e inexequível. É, apenas, uma exigência de alguém que se sente uma agulha sufocada no meio de um palheiro pestilento de tanta podridão.

Atenciosamente,
Inês.

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