FCDEF dos doutores, Porto dos amores

Sou finalista.

De cada vez que penso nisto, dezenas de milhares de calafrios são sentidos no meu corpo: o meu coração divide-se em mais de quatro partes, o meu miocárdio contrai até causar dor e minha artéria aorta fica entupida de nostalgia e gratidão, expulsando todo este turbilhão através dos meus olhos, na forma de lágrimas. Cinco anos já se passaram. Cinco. Uma mão cheia de alegrias, tristezas, desafios, dúvidas, conquistas, aventuras, noites, dias, risos, beijos, abraços, lágrimas, suor, ilusões e desilusões.

Faço uma viagem pelo tempo e retomo a 2012. Tenho claro nos meus pensamentos o primeiro dia de faculdade, de praxe, de castanho ao peito. Lembro-me das pessoas, dos momentos e das palavras. Lembro-me e sinto saudade. Os discursos benzidos com lágrimas de todos os finalistas são, este ano, o meu discurso. Ainda o ano acabou de começar e já vivenciei a mágoa de ser finalista. As memórias vêm todas de uma vez, as músicas associam-se a momentos, a voz treme, os olhos encharcam-se. Sentir isto diante de um grupo de pessoas que me respeitam e pelas quais tenho uma admiração brutal, faz-me tirar duas conclusões: a primeira é que o meu trabalho, na praxe, foi bem feito e cumpriu o seu propósito mais pleno: ensinar algo a alguém da forma mais cristalina e profunda; a segunda é que todos os lenços vão ser poucos para absorver o líquido bem-aventurado que me vai inundar a face, tantas e tantas vezes.

Merda, é o último ano! O último ano onde vou ter lugar na latada e no cortejo. O último ano que vou ser inserida num grupo de pessoas, sem ser no molho dos veteranos, que se distinguem e igualam pelas sapatilhas que trazem calçadas nos pés. O último ano onde vou ter uma insígnia para impor. O último ano que vou à queima todos os dias como estudante. O último ano desta vida que é, e foi, efetivamente, a melhor.

Às vezes, dou por mim a pensar: "Bem, esta semana ainda não fui à faculdade. Ainda não bebi nenhum café da máquina, ainda não comi nenhuma torrada a pingar de manteiga feita pelo Hélder, ainda não vi o Sr. Coimbra a passar nos corredores com aqueles olhos meios sérios, meios a sorrir, ainda não ouvi a música latina no corredor de ginástica do Prof. Garganta, ainda não ouvi as palavras sábias e tranquilizantes do Sr. Marinho, ainda não dei o hi five ao Prof. Faria, enfim, ainda não respirei FCDEF.". É deste vazio que se fazem os meus dias atualmente e bate tão forte, mas tão forte cá dentro, que me faz crer verdadeiramente que irei ter uma casa eterna neste meu Porto, que me irá aconchegar nos seus braços quentes e preencher sempre que lá voltar. Porque só quem sente algo assim sabe que nada podia ter sido vivido de forma diferente e que se pudesse voltar a viver tudo outra vez, optava por não fazê-lo, com medo de algo falhar e, no final, o sentimento não ser tão puro, genuíno e autêntico como é. E a isso agradeço à praxe e, acima de tudo, às pessoas que fizeram e fazem a minha praxe.

Por isso, aos que ainda vão a tempo: vão, vão com medo, sem medo, mas vão. Digam, sem pensar duas vezes. Façam, sem pensar uma vez. Não meçam as consequências, o dia seguinte, a dor de cabeça, o sermão dos pais ou dos professores. Vão às aulas, com ou sem sono. Faltem às aulas se assim acharem melhor. Vão aos recursos e às melhorias. Façam tudo em época normal. Sintam, exagerem na loucura, façam diretas e arrependam-se na aula da manhã. Arranjem desculpas. Esforcem-se, superem-se, transcendam-se. Experimentem. Experimentem tudo. Relacionem-se, chateiem-se, discutam. Amem-se, beijem-se, abracem-se. Cantem juntos, bebam juntos, dancem juntos, durmam juntos, acordem juntos. Admirem e sejam admirados. Sejam poetas. Aprendam a gostar de coisas que não gostavam. Não sejam obrigados a nada. Compreendam e perdoem. Ajudem-se e sejam um. Afoguem as mágoas num ombro ou numa almofada. Dêem-se a conhecer. Marquem pela diferença e individualidade. Iludam-se e desiludam-se. Errem, errem muito. Mas aprendam. E evoluam. E estejam. E sejam. E VIVAM!

Que esta vida passa num instante e vocês vão querer ser, para sempre, estudantes.

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