Eu acho que
Vivemos hoje numa roda viva em que as palavras preferidas e mais proferidas a seguir às "Eu sei", são as "Eu acho que". Todo e qualquer ser que mexe, pensa e fala, acha sempre alguma coisa sobre qualquer assunto dentro de algum contexto.
Hoje, eu também acho que muitas coisas e antes que me esqueça...
Eu acho que fazemos parte de um mundo de minorias e é sobre estas que alguém vai sempre achar alguma coisa.
Eu acho que uma rotura de mentalidades provém sempre de uma revolução dessas minorias.
Eu acho que o problema não está nas minorias, mas sim nas maiorias.
Eu acho que as minorias não se acham superiores às maiorias.
Eu acho que as maiorias é que acham que isso acontece e usam o politicamente correto e a vitimização para se superiorizar às minorias, por não serem seguros daquilo que querem e são.
Eu acho que são as maiorias as que mais acham que e que, por si só, são mais preconceituosas, egoístas e conservadoras.
Eu acho que fazer parte de uma minoria é mágico, embora penoso.
Eu acho que as minorias vão ser sempre vistas como perigosas, estranhas, manipuladoras e alucinadas.
Eu acho que para se ser fiel à nossa minoria é preciso aprender a lidar com a rejeição, com o socialmente aceite e com os acho que que todos têm a dizer sobre ti.
Eu acho que ninguém é de uma minoria porque escolhe, mas sim porque é.
Eu acho que é uma perversidade extrema acharmos que sobre uma minoria, ao ponto de funcionarmos como assassinos de sonhos e identidades.
Eu acho que o mundo está a rebentar pelas costuras, não porque as minorias ganham força, mas porque as maiorias querem a todo o custo menosprezar, denegrir e espezinhar as minorias.
Eu acho que é absurdo ser-se de uma minoria e ser-se intolerante a outra.
Eu acho que antes de acharmos que devemos primeiro perguntar "O que é que tu achas?".
Eu acho que se todos fizéssemos isto, iríamos respeitar-nos muito mais, julgar-nos muito menos e perceber que não são o que os meus olhos vêem que definem aquilo que acho, mas aquilo que os meus olhos são.
O impacto que o outro tem sobre ti define o teu reflexo. A força das tuas palavras é medida pela energia íntima que carregas, funcionando tanto para o positivo, como para o negativo. E o número de "eu acho que" que te saem pela boca são proporcionais ao medo que te bloqueia de seres e fazeres diferente, tal e qual como fazem as minorias. Falhas como Ser quando rejeitas o outro por ter a coragem de ser aquilo que tu não és e, quanto a isso, eu acho que quem está errado aqui, não sou eu, és tu.
