Lealdade

E quando o vinho se acaba,
Os presentes se vão,
As luzes se apagam,
E os lençóis, lavados e frescos,
A cobrem,
Ouve o bater do coração.

Sincero e transparente,
Verdadeiro e carente.
Expõe a autenticidade 
Num mundo apinhado de perversidade.

Os duendes reúnem-se e planeiam.

Intensificam o suposto
E ensinam a beleza colateral do oposto,
Pois aquilo pelo qual mais anseiam
É que ela nunca se esqueça
De agradecer pelos valores que a seguram,
De os honrar mesmo quando os censuram
Antes que subitamente adormeça.

E quando o sol nasce,
O despertador ecoa,
Os pés encontram o chão
E ela se levanta à toa,
É hora de admirar o espelho, 
Aprender com o oposto
E voltar a exacerbar o suposto.

Porque a vida é um clímax
E pode ser um universo de felicidade.
Desde que a procuremos no sítio certo
No íntimo núcleo da minha identidade.

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