Solitude
Por não saberes o que ele é, desvalorizas.
Por começares a ouvir falar dele,
questionas.
Por o reconheceres à distância,
ambicionas.
Por não saberes como lá chegar, comparas-te.
E inferiorizas-te.
E culpabilizas-te.
E vitimizas-te.
E quando percebes que é em ti que está o oxigénio da reação,
A mente, que é o comburente, sofre até à exaustão,
Por se ver constantemente diante uma traiçoeira e constante bifurcação.
À direita, estagnar.
À esquerda, continuar.
E é quando segues o lado do
coração
E quando calas os palpites da
multidão
Que a solitude se torna prioridade
E ocupa sem dó nem piedade
O altar da castradora solidão.
Por descobrires quem ele é,
encontras-te.
Por decifrares o que ele diz, acordas-te.
Por perceberes a sua importância,
vicias-te.
E envolves-te.
E lutas.
E cresces.
Não é egoísmo, é necessidade,
A de converter um amor próprio
impróprio para consumo
Num conclave de perdão e tolerância,
Onde apenas os teus valores e substância,
Ditarão o branco da paz do teu
fumo
E o sentido e direção do teu novo
rumo.
Por o conquistares, respeitas-te.
Por o teres contigo, vens-te.
Por o partilhares, inspiras.
E vulnerabilizas-te.
E libertas-te.
E concluis que se chegaste até
aqui,
Não foi por sorte ou casualidade,
Nem pelo mar de rosas ou falta de
dramas,
Mas sim porque te expuseste e te
superaste,
Porque mil vezes caíste e mil
vezes te levantaste,
Porque sempre te amaste
