turning 29

a quantidade de tentativas de escrever este texto responde à pergunta que mais me foi feita nos últimos dois dias: qual é a sensação de fazer 29 anos?
o número não me assusta. a idade foi apenas uma métrica que alguém sem noção inventou para tentar controlar a passagem do tempo. era mais fácil se vivêssemos num mundo onde não se contam os anos, porque deixávamos de lado as caixinhas sociais onde, por imposição e conforto, nos encaixamos. conseguem imaginar não ter noção da esperança média de vida? não saber do quão longe ou próximos supostamente estamos da m0rte? quantas vezes ouvimos alguém dizer que agora já não tem idade para? ou quantas vezes sofremos e vemos sofrer alguém porque já passou os 30 ou os 40 e ainda não tem, nem sabe como há-de ter, os itens limitadores e culturais que definem o sucesso?

era mesmo fixe que não houvesse esta coisa da idade. acho que nos retirava alguma pressão. mas respondendo à pergunta de como me sinto com 29: sinto-me determinada e frustrada. um combo explosivo, pq são conceitos difíceis de coexistir. a matemática não mente quando diz que mais com menos dá menos. e aos 29 sinto-me menos em várias coisas, ainda que com mais noção de que a vida e os sonhos não são lineares, e de que os passinhos que damos atrás são, muitas vezes, os passos de gigante que vamos dar mais à frente.

estou neste momento com a primeira engatada, pronta para devagar, devagarinho, subir a montanha, evitando ao máximo cair. falava há dias com alguém que se sente farto de querer dar um passo sem saber muito bem onde pousar os pés. e por mais que saiba que a solução é continuar, está cansado de avançar aos apalpões, tropeções e zigzags.

identifiquei-me. por isso é que sigo em primeira, para ter perceção dos buracos na estrada e desviar-me deles, para ir atenta aos sinais de trânsito e para, acima de tudo, garantir que o percurso não vai ser um círculo absurdamente infinito e frustrante.

ter calma, voltar ao básico e conhecer-me com ajuda a um nível que, sozinha, ainda não consegui lá chegar. sigo em primeira nos meus últimos 20’s, para que esta década caótica, intensa e volátil termine com a harmonia e energia certa para a década que virá a seguir.

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