Maturidade

Há 5 anos, quando passava por uma das fases mais desafiantes dos meus 20’s e voltei a escrever com alguma consistência no meu blog, estava com 25 anos e disse que tinha cimentado a minha identidade através de uma hierarquia de valores. Hoje, a 6 meses dos 30, sinto que a maturidade chegou.

Tenho sentido isto já há alguns meses. Partilhei este sentimento em terapia, o medo que o sentir-me mais madura trouxe. Arrisquei muito na última década. Fui intensa, irresponsável, instável, livre. E tudo isto levou-me a tomar decisões impulsivas – foram tudo ou nada. Até então só tinha sido capaz de ver o lado bom disso: vivi muito. Mas a maturidade tem-me vindo a mostrar que, numa altura em que já pouca paciência tenho para experiências temporárias e desequilíbrios emocionais, qualquer decisão que venha a tomar parece mais pesada e mais difícil. Isto porque fez-me abandonar o tudo ou nada e ensinou-me a olhar para as coisas como uma média saudável entre estes dois extremos. Talvez por isso seja cada vez mas difícil acreditar num destino eterno.

A loucura saudável dos meus 20’s fez de mim uma sonhadora, muitas das vezes com os pés assentes nas nuvens e pouco assentes na terra. A certeza absoluta e inocente de um sonho fez de mim, na maioria das vezes, uma pessoa destemida. Ouvia pouco e confiava cegamente nas soluções do futuro que iriam pagar pelas decisões, boas ou más, do presente. Estava, no fundo, a depositar as fichas num tempo que ainda não existia e que, por isso, queria controlar para me sentir mais confortável.

Com a chegada da maturidade percebi que não controlamos a vida, muito menos uma vida que se passa no futuro. Percebi também que não há limite de idade para se começar de novo e que o significado de uma pessoa destemida é a que se entrega totalmente ao presente. A atitude de arriscar sem vista ao que virá a seguir é um ato gigante de fé na vida (ou de fé na Sílvia – a melhor psicóloga do mundo). Tenho aprendido que, no novelo de decisões que têm de ser tomadas, devo começar por aquela que é o ponto de partida do bordado para que, depois, tudo conspire em torno disso. Sem "mas" nem "se's". Com mais certeza no comportamento e menos nas palavras.

Mete muito medo. É muito mais fácil dar passos no presente com planos de B a Z no futuro caso algo corra mal com o plano A. Por outro lado, quando só há um plano em cima da mesa, os olhos com que se vê o futuro só podem ser pela lente da fé, que é como quem diz, “Por enquanto, é isto. Depois, logo se vê”. Falo de maturidade e esta forma de estar na vida parece tudo menos madura. Eu sei. A grande diferença que identifico relativamente aos riscos que corri no passado é na impulsividade dos passos em frente.

Sinto-me a crescer bem e gosto de imaginar a adulta de 10 anos que me estou prestes a tornar. Aprendi a aceitar a frustração, a inércia e o amadurecimento de uma ideia – na dose certa para não apodrecer. Com isto, os sonhos e os objetivos não são tão claros, ao ponto de às vezes pareceram que não existem – eles existem. Mas a calma e a esperança na voz e no coração estão de boa saúde. Comparo-me menos, aceito-me mais e distingo com mais clareza o que sou e o que faço. E assim me lanço para o que virá: com os olhos mais presentes no que já cá está e que tenho aprendido a dizer que é suficiente.

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