O dia em que fiz 30 anos

Li algures esta semana que aos 28 somos mais velhos do que somos aos 30. Dizem que é por volta desta idade que começa a crise. Olhamos para os 30 como a idade limite para muita coisa - o carro, a casa, o casamento, os filhos, e tantos outros objetivos. E, por isso, com o aproximar deste número começamos inconscientemente a exercer uma pressão em nós para tudo o que deveríamos ter conquistado, mas ainda não conseguimos (lol). Isto envelhece.

E depois chegam os 30. Deixamos de reutilizar o número 2 das velas ano após ano, passamos a ter um título - agora sou trintona - e, de forma inacreditável, sentimo-nos mais livres. Eu sinto-me mais livre! E mais jovem, e mais leve do que me sentia aos 29, aos 28, aos 27, aos 26, aos 25… e ficamos por aqui. Antes disso sabia nada desta vida (e hoje só sei mais um bocadinho).

Acredito que este sentimento de liberdade se relacione com um deixar cair de planos e ambições (que na verdade nunca nos serviram) e com um consolidar bonito do carácter e da personalidade. É que nos 20’s damos demasiado ouvidos às opiniões, levamo-nos demasiado a sério, tornamos tudo sobre nós e achamos demasiado que já sabemos tudo (we have to chill, kids). E tudo isto se deve a uma compensação daquilo que mais nos falta: a auto-confiança e a maturidade.

Estas duas coisas chegaram-me com os 30. A auto-confiança veio com a terapia, que me ajudou a tomar decisões pela própria cabeça e a deixar ir a miúda prodígio amedrontada por achar que passou ao lado das expectativas que sempre criaram para si; e a maturidade ensinou-me a ter paciência, algo que me tem dado lucidez e paz para viver mais com base no que a vida quer de mim e não no que eu quero da vida.

Têm-me perguntado como me sinto com 30 anos e a resposta é que me sinto genuinamente feliz e preparada. Começo a sentir-me menos menina e mais mulher, ainda que com a certeza de que nunca deixarei de gostar de brincar. E talvez seja mesmo essa a beleza dos 30 (estou para descobrir): a capacidade de não ter mais vergonha de ser ridícula, de ser criança e de desobedecer, mas com a maravilhosa consciência e responsabilidade da vida adulta.

Hoje sinto-me assim. Depois logo se vê.

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